quinta-feira

Sala de Exposições


Passos.
Aquele pequeno cérebro naquela grande cabeça, assemelha-se a uma sala de exposição.
A uma daquelas salas quase sempre quadradas, de paredes brancas e chão de madeira perfeitamente envernizado.
O som dela faz eco, constantemente. É terrível!
Naquela sala, são capazes de entrar umas cinquenta pessoas, todas com um andar lento e enervante, mas que fazem presença.
É uma exposição em constante alteração.
Cada quadro, cada escultura, cada texto informativo são as suas recordações e memórias de um determinado tempo.
São guardadas de variadíssimas formas. Umas mais bonitas que outras mas todas com um tremendo significado.
Um passo. Esquerda. Direita. Uma pessoa. É o pior dos cenários.
Apenas uma pessoa naquela maldita exposição de recordações! Ali sozinha a andar calmamente,a ver a vida doutra pessoa passar por entre a arte.
Mas há sempre certos espectadores assíduos. Aqueles que gostam de lá ir com frequência.
Bons ou maus apreciadores de arte, eles aparecem com a multidão mas ficam sempre até mais tarde. Parece que gostam de estar, de apreciar arte, venha ela da forma que vier. Teimam em sair. Em abandonar aquele lugar com recordações que não são as deles.
Eles andam por lá, de um lado para o outro, olham para os quadros umas mil vezes. Outras vezes sentam-se, só para apreciar o derradeiro silêncio da sala.
Voltam a sair com a entrada de uma nova multidão e com a mudança de exposição.
Mudança de recordações.
Mas mal saí um solitário desses, entrava logo outro. Diferente. Mas outro solitário.
E assim será, talvez para sempre, aquele pequeno cérebro dentro daquela grande cabeça, com o som dos passos do seu solitário, na exposição da sua vida.

2 comentários:

Anónimo disse...

beautiful :)

Anónimo disse...

opaaa, oh ineeeees :$

«‘Til we meet you again, may God bless you. Adios!» by Elvis, 1977