
Era manhã do dia de São Valentim.
O Sol forte escondia-se atrás das árvores altas.
E a brisa passava debaixo dos seus ramos criando um cheiro fresco sabendo à Primavera que se aproximava.
As flores cantavam alegremente.
Os pássaros dançavam no ar.
Estavam todos juntos no parque.
As senhoras de um lado.
Os senhores do outro.
Elas discutiam cores e penteados.
Eles discutiam livros e poesia.
Elas vestiam vestidos volumosos de cores simples e usavam o chapéu de lado.
Eles vestiam os seus melhores fraques de cor preta e usavam o chapéu direito.
Ele procura os olhos dela.
Ela encontra os olhos dele.
Sem que ninguém percebesse, eles gostavam um do outro.
Não podiam.
Ele era comprometido.
Ela sabia.
Passou por ele.
Deixou cair, discretamente, um papel não muito amarrotado.
Na noite passada, sabia que era a ultima vez que pensaria daquela maneira, apaixonada. Por isso escreveu-lhe uma carta.
Ele apanhou o papel do chão. Reparou numas letras a preto.
Pediu licença para se retirar.
Começou a ler as palavras dela:
«Meu amor...queira desculpar a minha ousadia, mas não podia sair sem lhe dizer nada.
Hoje é dia de São Valentim. É o dia para os que estão apaixonados.
É o seu dia com a sua apaixonada.
Sim, eu sei que também já o fui. Eu não me esqueço!
Não se esqueça também. Nunca esqueça o que fomos. O que pensámos juntos. O que lemos nos bancos de jardim. O que sentimos. O que trocámos. Isso tudo ficará para sempre.
Para sempre nos nossos corações. Eu sei que o seu também bate forte quando os nossos olhares se cruzam, e quando os nossos bons-dias ecoam no ouvido um do outro.
Também quero que não esqueça que tudo isto é passado.
Não desanime. Estarei sempre consigo nesse seu peito onde em tempos deitei a minha cabeça e adormeci num sono tranquilo.
Parto agora para terras distantes. Para onde posso começar de novo e encontrar alguém que goste de mim como eu sou. Alguém que me faça novamente feliz. Sim, novamente. Já o fui consigo.
Não, não pense que isto é uma despedida daquela que é para sempre.
Bem sabe que não gosto de despedidas, muito menos das que são para sempre.
Só quero que saiba que, o que não fomos outrora, podemos sê-lo um dia.
Noutros dias...
Um doce beijo. Até sempre!»
Ele larga um pequena lágrima e junta o papel à cara para um suave beijo.
Tenta recompor-se e volta para junto dos seus companheiros.
Ela volta a passar por ele.
Ele volta a encontrar os seus olhos, por uma última vez.
Ambos sabem que, se os seus olhos falassem tanto teriam para dizer...
[The Parc Monceau by Monet]
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1 comentário:
A-D-O-R-E-I :O
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