segunda-feira

Paragem


Ele encontra-me.
Estava debaixo de uma paragem de autocarro.
Tinha estado a chover bastante, mas agora só caiam as pingas do tecto da paragem e escorriam as gotas dos anúncios.
Estávamos sozinhos naquele banco de metal à espera do próximo autocarro.
Com a chuva, a cidade pára. Por isso, já sabia bem o tempo que ia esperar.
Mas não importava.
Sim, estava frio, mas assim que ele se sentou ao meu lado senti-me aconchegada e o meu coração estava quente.
- Don't give up... - diz-me ele numa voz suave e calma.
Sem perceber onde ele quer chegar, olho nos seus olhos verdes à procura de uma resposta.
- Don't give up, because you want to be heard. If silence keeps you, I...I will break it for you. - continua ele.
Faz uma pausa e olha para o céu que agora estava aberto e sem nuvens. Respira fundo como se estivesse a ganhar folgo para continuar. Assim que encontra os meus olhos de novo, continua:
- Everybody wants to be understood. Well, I can hear you. Everybody wants to be loved, don't give up...because you are loved. - esboça um sorriso e termina.
Bastaram aqueles olhares para saber que ele sabia exactamente o que eu sentia.
A força daqueles olhos sabia o que dizer para me reconfortar, e para me dar esperança.
Ele fez com que a esperança que outrora tinha desaparecido, surgisse de novo e me iluminasse.
Ficámos em silêncio, apenas se ouvia os pássaros e se sentia o cheiro da terra molhada. O trânsito tinha parado.
Até que, infelizmente, tudo volta ao normal, e surge um autocarro que o faz saltar do banco da paragem e entrar nele a dentro.
Sem me dar uma hipótese de agradecer e despedir, o autocarro arranca...deixando-me de novo na paragem onde me tinha encontrado sozinha, agora acompanhada de outras pessoas que se abrigavam da chuva que voltava a cair.

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«‘Til we meet you again, may God bless you. Adios!» by Elvis, 1977