Se me ponho a cisma em outras erasEm que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotas dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
Florbela Espanca
Hoje, choro por ti e pelo medo que cresce dentro de mim!
Medo de perder o que não quero, medo de saber que não dá, medo de não voltar a sentir o mesmo, medo de saber a verdade, medo de voltar lá acima, muito alto, e cair para nunca mais me levantar!
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