terça-feira

Rua sem fim



Lá estava ela, sozinha, naquela rua sem fim. Em silêncio, ia ela, nada lhe falava. As janelas das casas estavam fechadas, os cafés vazios e as lojas sem clientes. Nem as pedras da velha calçada lhe conseguiam dizer alguma coisa. Nada.
O seu único desejo era que ele estivesse com ela. Ali naquela rua, os dois, de mão dada. Sentia que podia sentir o ritmo cardíaco vindo do coração dele, mesmo na palma da sua mão. A rua tornar-se-ia colorida, leve e cheia de movimento, só por ele estar ali, bem a seu lado. Sentia-se segura. Muito segura. E sobretudo feliz!
De volta à terra, encontra-se de novo sozinha, insegura e triste. Derrama uma lágrima, que cai redonda na calçada suja e cinzenta. É então que começa a chover.
Já nem se quer percebia o que lhe escorria pela cara pálida, se a chuva se as lágrimas cada vez mais abundantes.
Pára na rua, põe a cabeça para trás, chora como se não houvesse fim e sente a raiva das nuvens na sua cara. A única coisa que consegue sentir é aquela solidão a corroer-lhe por dentro.
Chora. Chora tudo. Toda a tristeza lhe sai do corpo, todas as vontades perdidas, todos os desejos.
Pára de chover.
Limpa a cara.
Agora toda encharcada, recompõe-se e volta ao seu longo caminho naquela rua sem fim, onde apenas deseja a companhia que queria.

1 comentário:

Anónimo disse...

Tão, mas tão bonito :') e amo a maneira como termina! *

«‘Til we meet you again, may God bless you. Adios!» by Elvis, 1977